Muitas pessoas quando visitam meu blog sempre deixam comentários de como é bom estar aqui, como este cantinho lhes porta paz, que é como se fosse um pequeno oásis onde se pode restaurar forças.
Fico imensamente feliz sabendo que passo aos outros aquilo que tenho de melhor para oferecer: minha amizade e o desejo de um dia muito feliz.
Meu primeiro desejo, quando escolho uma poesia ou quando escrevo alguma coisa de minha vida, é sempre levar mensagens positivas. Creio que este seja um hábito em minha vida e talvez um defeito também. Talvez por isto mesmo muitas pessoas pensem que eu tenha uma vida maravilhosa sem problemas ou que eu seja uma super-mãe ou super-mulher… sei lá mais o quê.
Mas não, sou normal. Sou como todo mundo. Sinto raiva, fico triste ,desapontada, desiludida, magoada, ferida. Como já disse talvez este tenha sido sempre meu maior erro. Parecer que sou feliz.
Na realidade tenho muitas cicatrizes. Algumas as trago do ventre de minha mãe outras da minha infância e as demais as adquiri pela vida.
Sempre me senti uma pessoa muito só. Então povoei minha vida. Fui professora, vivi cercada de crianças e jovens. Minha alegria infinita está em manter até hoje amizades com ex-alunos. Alunos que se tornaram filhos e ainda recorrem a mim para contar seus segredos ou partilhar sucessos.
Sou de fazer amizades com facilidade. Às vezes fico até surpresa com isto. Pessoas que acabaram de me conhecer, como aconteceu várias vezes quando estive na Itália e, que me convidaram para hospedar-me em suas casas. Senhoras que conhecí no trem, enquanto viajava entre cidades; outras que, após alguns minutos de conversa, deixavam seus endereços e telefones para contato.
Este blog nasceu exatamente por causa destas pessoas. Pessoas que encontrei na vida real ou na internet e que me ajudam voluntariamente, me escutam e acima de tudo confiam em mim. Verdadeiros “anjos sem asas”.
Mas, como já disse, tenho minhas cicatrizes. Dores que carrego feito correntes. Muitas vezes a dor é tão forte que me exaure e não tenho nem forças para gritar o quanto estou machucada. As feridas da alma são as que mais doem e ninguém as vê. Pior, duvidam que elas existam, então opto por calar para não parecermos piegas. E, sigo arrastando essas correntes pesadas pela vida.
Mas não deixo que elas me impeçam de enxergar as coisas belas que estão em volta. Fixo o olhar sempre adiante, talvez na tentativa de esquecer aquilo que quero deixar para trás. Espero que um dia todas essas feridas fechem. Que essas cicatrizes desapareçam ou sejam somente tênues lembranças e aquelas que teimarem em resistir e se fazer aparente que sirvam como alerta para que eu evite ferir-me novamente pelos mesmos motivos.
Tarefa um pouco difícil para quem tem uma alma frágil como uma borboleta.
Mas, estou enrijecendo as minhas asas. Sei que um dia ainda vou voar e poder admirar as flores lá do alto, do infinito azul de um céu de primavera.
Angela