terça-feira, 29 de junho de 2010
Ser Transparente
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Rotina
O ar frio da manhã parece uma cortina que encobre o céu deixando-o num tom de azul clarinho, quase branco e, esconde o sol. que timidamente ainda não consegue deixar sombras.
Embaladas pela brisa, as plantas balançam suavemente suas folhas que lembram lenços agitados nas despedidas. Tudo é silêncio e solidão. Nem os pássaros hoje vieram para seu banho matinal.
Dou bom dia aos meus gatos.
White me responde com seu costumeiro miado e como sempre quer água.
Acreditem, tenho um gato viciado em água. A qualquer hora, sempre que me vê, quer água. Água corrente.
Claro que eu fico ali esperando ele saciar sua sede para depois fechar a torneira. (Ou será que o que ele quer mesmo é minha companhia?)
Como todo gato, White gosta de se sentir livre e por isto mesmo odeia portas fechadas.
Agora, com o friozinho da manhã e a corrente de ar que passa pelas portas acho melhor deixá-las fechadas e nem preciso dizer que acabo me transformando em sua porteira. É um entra e sai…
cada vez que quer fazer isto me chama, melhor, mia.
Pior é que não se decide se quer ficar dentro ou fora.
Credo, parece galinha choca sem ninho!
Na verdade ele é como minha sombra. Gosta de estar onde estou. Acho que é carente ou então pensa que é gente.
Gato parece menos inteligente que canhorro, mas na verdade é muito mais esperto que nós. Nos usam e ainda se dão ao luxo de ficar de mal quando não são atendidos.
Ontem à noite, minha gata “Fofa”, estava emburrada. Motivo: ficou tempo demais no jardim.
Ela é diferente de White e não mia para nada. Assim, quando quer entrar e encontra a porta fechada simplesmente se posta diante da porta e fica ali, parada feita uma estátua, esperando que alguém a abra para ela.
Como demorei a descobrir que ela queria entrar,emburrou.
Foi direto para o seu “posto”. Ali se sentou de costas para mim e não me olhava por nada deste mundo, nem para a comidinha que esquentei para ela. Precisei pegar no colo e colocar diante do pratinho e fazer uns carinhos para desemburrar.
Pode!!!Eita gatinha birrenta, mal humorada e ranzinza.
Tá certo que preciso respeitar seus 18 anos, mas ela bem que podia mudar o geniozinho, afinal toda manhã eu a levo para tomar sol e a escovo. Poderia ser mais agradecida, a gorducha.
White é muito ciumento. Quer sempre o lugar de Fofa para dormir. Quando chega a noite eles disputam para ficar perto de mim e, não raro, acabo como uma estátua no sofá com uma gata gorda deitada ao lado e o outro me fazendo de colchão.
São pesados os bichanos, acho que pesam mais de 5 quilos cada um. Nem posso me mexer e até respirar é difícil mas, vai fazer eles entenderem isto.
Quando preciso mudar de posição é um sacrifício.
White se faz de desentendido, tento levantá-lo para o colocar no encosto do sofá mas ele solta o corpo e, ora é uma pata ora é outra que está pendurada. Na verdade ele não quer sair e então dificulta o que pode, parece uma geléia que escorre pra todo lado.
Fofa é estressada e me mostra os dentes quando preciso levantar porque odeia ser incomodada. Seus olhos azuis profundos me fitam como a dizer: faz favor de ficar quieta que eu quero dormir!!!!
Tornei-me, por gosto, escrava dos felinos, mas não me importo. Nos fazemos companhia e sempre recebo o carinho deles.
São meus amigos reais e verdadeiros que vem lamber minhas lágrimas quando estou chorando ou me beijam com seus narizes gelados nos momentos difíceis, como a dizer: Eia, avante!
Nos conhecemos tão bem… afinal são quase 20 anos de convivência.
Terminei o café da manhã e o sol começa a mostrar sua cara, embora timidamente.
O céu, agora mais azul, promete um dia lindo e quentinho. Abro a porta para que eles possam curtir o solzinho.
Daqui à pouco estarão os dois de papos para os ar aproveitando o calor do sol e a paz do jardim.
Que bom vê-los assim… anjinhos inocentes!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Entrevistando um tuareg
Não sei minha idade.
Nasci no Deserto do Saara, sem documentos. -Nasci em um acampamento dos nômades tuaregs entre Timbuctu e Gao, ao norte de Mali.
Fui pastor de camelos, cabras, cordeiros e vacas de meu pai.
Hoje estudo gestão na Universidade de Montpellier.
Estou solteiro.
Defendo aos pastores tuaregs.
Sou muçulmano, sem fanatismo.
Quem são os tuaregs?
- Tuareg significa “abandonados”, porque somos um velho povo nômade do deserto, solitários e orgulhosos: “Senhores do Deserto, é como nos chamam. Nossa etnia é a amasigh (bereber), e o nosso alfabeto, o tifinagh.
- Quantos são?
- Uns três milhões, e a maioria permanece nômade. Mas a população diminue. “É preciso que um povo desapareça, para que saibamos que ele existiu!” Apregoava um sábio. Eu luto para preservar esse povo.
- A que se dedicam?
- Pastoremos rebanhos de camelos, cabras, cordeiros, vacas e asnos num reino de imensidão e de silêncio
- O deserto é realmente tão silencioso?
- Quando se está sozinho naquele silêncio, ouve-se o batimento do próprio coração. Não há lugar melhor para se estar sozinho.
- Quais recordações de sua infância vc conserva com maior nitidez?
- Desperto com a luz do sol e ali estão as cabras de meu pai. Elas nos dão leite e carne, nós a levamos onde há água e pasto… Assim fizeram meu bisavô, meu avô e meu pai… e eu. Não havia outra coisa no mundo além disso. E eu era muito feliz com isso.
De fato! Não parece muito estimulante…
- Mas é muito! Aos sete anos já te deixam afastar-se do acampamento para que aprendas coisas importantes: farejar o ar, escutar, apurar a vista, orientar-se pelo sol e as estrelas… E a deixar-se levar pelo camelo, se você se perder. Ele te levará onde há água.
-Saber isso é valioso, sem dúvida…
-Ali tudo é simples e profundo. Existem muito poucas coisas. E cada uma tem um enorme valor!
- Então esse mundo e aquele são muito diferentes, não?
- Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade.
Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já o é!
- Que turbante tão formoso!
- É uma fina tela de algodão: permite tapar o rosto no deserto, e continuar a ver e respirar através dele.
- É de um azul belíssimo…
- Nós, os tuaregs, somos chamados de homens azuis por isso: o tecido solta alguma tinta e nossa pele adquire tons azulados
- Como conseguem esse tom de azul anil?
- Com uma planta chamada índigo, mesclada com outros pigmento naturais. Para os tuaregs o azul é a côr do mundo.
- Por que?
- É a côr dominante: é a côr do céu, do teto de nossa casa.
- O que mais o chocou em sua primeira viagem à Europa?
- Ver as pessoas correndo pelo aeroporto. No deserto só se corre quando vem uma tempestade de areia. Me assustei. É claro!
- Eles apenas iam buscar suas malas…
- Sim! Era isso.
Também vi cartazes de mulheres nuas. Me perguntei: porque essa falta de respeito para com a mulher?
Depois, no Íbis Hotel, vi a primeira torneira da minha vida, vi a água correndo e senti vontade de chorar…
- Que abundância! Que desperdício! Não?
- Todos os dias da minha vida consistiam-se em procurar água. Quando vejo as fontes ornamentais aquí e acolá, continuo sentindo por dentro uma dor tão intensa…
-Tanto assim?
- Sim! No começo dos anos 90 houve uma grande seca. Morreram os animais e nós adoecemos. Eu tinha uns 12 anos e minha mãe morreu. Ela era tudo para mim! Me contava histórias e ensinou-me a contá-las muito bem. Ela me ensinou a ser eu mesmo.
- O que sucedeu com sua família?
- Convenci meu pai que me deixasse ir à escola. Quase todo dia caminhava 15km. Até que um dia o professor me arranjou um lugar para dormir e uma senhora me dava o que comer, quando eu passava em frente à sua casa. Entendi que essa ajuda vinha de minha mãe.
- De onde surgiu esse desejo de estudar?
- Uns dois anos antes, havia passado pelo nosso acampamento o rally Paris-Dakar, e uma jornalista deixou cair um livro de sua Mochila. Eu o apanhei e lhe entreguei. Ela me deu o mesmo de presente. Era um exemplar do Pequeno Príncipe e eu me prometi que um dia conseguiria lê-lo.
- E conseguiu.
-Sim! Foi assim que consegui uma bolsa de estudos na França.
- Um Tuareg na universidade!
- Ah, o que mais sinto falta aqui é o leite de camela... E o calor da fogueira, e de andar com os pés descalços na areia quente. Lá nós olhamos as estrelas todas as noites e cada estrela é diferente das outras como cada cabra é diferente.Aqui, à noite, você olha para TV.
- Sim! E o que você acha pior aqui?
- Vocês têm tudo, mas não acham suficiente. Vocês se queixam. Na França passam a vida reclamando! Aprisionam-se pelo resto da vida à uma dívida bancária, num desejo de possuir tudo rapidamente ...
No deserto não há congestionamentos e você sabe por quê? Porque lá ninguém quer ultrapassar ninguém!
- Conte-me um momento de extrema felicidade no seu deserto distante.
- Todo dia, duas horas antes do pôr do sol: a temperatura abaixa, mas ainda não chegou o frio, e os homens e os animais, lentamente voltam para o acampamento e seus perfis são recortados em um céu cor de rosa, azul, vermelho, amarelo, verde...
- Fascinante, na verdade...
- É um momento mágico ...
Entramos todos na cabana e colocamos o chá para ferver.
Sentamo-nos em silêncio, a ouvir a ebulição ...
A calma invade todos nós, e o nosso coração bate ao ritmo
Do barulho da fervura...
-Que paz!
-Aquí vocês tem relógio…
… lá temos tempo.
-
Uma bonita entrevista com um tuareg realizada por:
VÍCTOR-M. AMELA
a: MOUSSA AG ASSARID
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Carinhos de amigos virtuais
Este carinho me foi enviado por uma amiga mais que especial: Franciete.
Que bom poder contar com amigas como você.
Adorei a surpresa.
Mimos do Valter Poeta e
da Izis cartões.

Sugiro uma visita a estes artistas:

E a grande artista:
terça-feira, 25 de maio de 2010
Descobertas
Meu mundo era do tamanho do meu quintal. O céu era o limite. Ali fazia descobertas incríveis. Observava o trabalho de formigas, o crescimento das hortaliças e frutas, brincava e virava cientista quando descobria uma larva ou outro inseto qualquer.
A vida andava devagar. Num mundo só de adultos o que me restava, além das excursões pelo quintal, era balançar. Ora num balanço ora numa rede ou deitar-me numa cadeira do tipo espreguiçadeira e espreitar o céu. Gostava de imaginar formas para cada uma das nuvens e à noite olhava a Lua e tentava ver São Jorge em seu cavalo. Admirava a luz piscante das estrelas mas nunca me passara pela cabeça o significado de universo.
Para mim, quando chovia chovia em todo lugar, quando fazia sol era sol em todo lugar. Imagine a surpresa, quando lá pelos 8 ou 9 anos, a professora começou a dizer que enquanto em alguns lugares as pessoas aproveitavam a luz do sol em outros países já era noite e que mesmo chovendo, havia sempre céu azul e muito sol acima das nuvens. A palavra infinito era tão enigmática quanto o próprio universo.
Começava assim a minha descoberta de mundo. Saía do meu mundo infantil e entrava para o mundo adulto onde havia mais mistérios que eu supunha.
Água salgada? Parecia loucura. Ir à Lua? Utopia.
A sede de mais saber foi sendo saciada através de leituras. Os livros passaram a ser amigos inseparáveis.
Júlio Verne… Li quase todos seus livros. Fui à Lua, conheci o centro da Terra e passei dias num submarino, mas o que mais gostei foi viajar pelo mundo numa corrida maluca e conhecer países e culturas diversas. Sua fértil imaginação combinava com a minha condição infantil e mal sabia eu que suas histórias, que nada mais eram que ficção baseadas em possibilidades, viriam a se tornar realidade em tão pouco tempo.
Monteiro Lobato… até matemática e gramática se podia aprender através das histórias.
Conheci o sertão nordestino e a fome que secava vidas e, ainda teimavam em sobreviver, pelas mãos de Graciliano Ramos.
Hoje, as informações estão cada vez mais acessíveis. Temos a internet e programas que fazem qualquer crianças compreender o funcionamento do universo em segundos, mas a quantidade tem prejudicado a qualidade.
Quando o alimento é muito cozido é fácil de ser digerido porém não é tão saboroso nem tão nutritivo.
Aprender devagar e dar o devido tempo para a acomodação e a reflexão são imprescindíveis. Este tempo nos faz olhar a vida com mais atenção, a ser mais tolerantes, a respeitar o tempo de cada um e de cada coisa.
A fruta colhida a seu tempo é sempre mais saborosa.
domingo, 23 de maio de 2010
DOE PALAVRAS
O Hospital Mário Penna em Belo Horizonte, que cuida de doentes de câncer, lançou um projeto sensacional que se chama
"DOE PALAVRAS".
Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho.
Você acessa o site http://www.doepalavras.com.br/, escreve uma mensagem de otimismo,
curta (como twitter) e sua mensagem aparece no telão para os pacientes que estão fazendo o tratamento.
Pessoal, é muito linda a reação de esperança dos pacientes.
Participem, não apenas hoje, mas, todos os dias, dêem um pouquinho das suas palavras e de seus pensamentos.
Compartilhem a boa palavra!
Como matar mosquitos ecologicamente
Para ajudar com a luta contínua contra os mosquitos da dengue e a dengue hemorrágica, uma idéia é trazê-los para uma armadilha que pode matar muitos deles.
O que nós precisamos é, basicamente:
200 ml de água,
50 gramas de açúcar mascavo,
1 grama de levedura (compra na loja de produtos naturais)
e uma garrafa plástica de 2 litros
A seguir estão os passos a desenvolver:
1. Corte uma garrafa de plástico no meio. Guardar a parte do gargalo:
2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixar esfriar depois e despejar na metade de baixo da garrafa.
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.
4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.
5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.
Em duas semanas você vai ver a quantidade de mosquitos que morreu lá dentro da garrafa.
Além da limpeza de suas casas, locais de reprodução do mosquito, podemos utilizar esse método muito útil em escolas, creches, hospitais e residências.
Não se esqueça da dengue.
DIVULGUE!!!
Recebido por email.
Sempre é bom divulgar receitas simples que podem ajudar no combate.