O alvorecer e os finais de tarde eram sempre muito animados por aqui.
Pássaros de várias espécies vinham para saborear os frutos das grandes mangueiras ou então o doce mel das jabuticabas maduras.
Minha piscina servia para o banho e a vida aqui era um paraíso para eles.
A cascata era como uma cachoeira e os banhos na piscina sempre o faziam através de voos rasantes, mergulhando e depois arrumando suas penas e batendo com o bico no chão.
Faziam seus ninhos entre as folhas e eu apreciava o crescimento dos filhotinhos até o dia do primeiro voo.
Alguns acabaram ficando por aqui.
Sei quem são pela confiança que sentem. São tão mansos que podemos chegar perto. Até meus gatos não lhes fazem afronta. Convivem em harmonia.
Porém, um dia, sem mais nem porque, a jabuticabeira secou e depois outra árvore também.
Uma das mangueiras foi cortada.
Assim a festa acabou mas, mesmo mais tristes e calados, eles continuaram a vir e fizeram dos galhos secos um pouso tranquilo para final do dia
Ali se acomodavam e espiavam a tarde que findava lentamente no horizonte enquanto eu os observava e presenciava briguinhas por um lugar melhor.
Hoje, infelizmente, o dia amanheceu silencioso sem o costumeiro canto matinal.
Percebi algo diferente quando saí para o jardim.
Ao invés da árvore agora passei a ver um prédio.
Nem sinal dos pássaros.
Para onde teriam ido?
Primeiro lhes foi tirado o alimento, depois o descanso.
Que tristeza!
Ainda resta uma mangueira. Torço para que não a cortem. Meus amiguinhos precisam dela. É um direito à vida.
Quanto ao meu jardim, quero dizer à todos os pássaros, que sempre será de vocês e também podem usar a piscina à vontade, basta que venham me visitar nos finais de tarde.
