domingo, 19 de outubro de 2008

Ou isto ou aquilo!


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão
quem fica no chão não sobe nos ares!

É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce
ou compro o doce e gasto o dinheiro!

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
eu vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se isto ou aquilo!

Cecília Meireles


Trabalhar insatisfeito
ou sair e ganhar menos?
Proteger nossos filhos
ou deixá-los livres?
Ser honestos e caretas
ou levar vantagem?
Dizer o que pensamos
ou sermos agradáveis?
Poderia continuar esta lista infinitamente,
mas creio que seja desnecessário.
É sempre muito difícil fazer escolhas,
principalmente quando o resultado delas
envolvem outras pessoas.

Mas uma coisa é fácil decidir:
desejo ótima semana a todos!

sábado, 18 de outubro de 2008

Unidade na dualidade


Tudo flui", dizia Heráclito ( O mais eminente pensador pré-socrático, por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal, harmonia feita de tensões, "como a do arco e da lira").
Tudo está em movimento e nada dura para sempre. Por esta razão, não podemos entrar duas vezes no mesmo rio". Isto porque quando entro pela segunda vez no rio, tanto eu quanto ele já estamos mudados.
Ele também nos chama a atenção para o fato de que o mundo está impregnado por constantes opostos. Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa a saúde. Se nunca tivéssemos fome, não experimentaríamos a agradável sensação de saciá-la depois de uma refeição. Se nunca houvesse guerras, não saberíamos o valor da paz, e se nunca houvesse inverno, não poderíamos assistir a chegada da primavera.
Tanto o bem quanto o mal são necessários ao todo, dizia Heráclito. Sem a constante interação dos opostos o mundo deixaria de existir.
"Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, satisfação e fome". Para ele, Deus - ou o elemento divino- é algo que abrange o mundo inteiro, se manifesta na natureza em constante transformação e crivada de opostos.
No lugar da palavra Deus ele emprega com frequência a palavra logos, que significa razão. Mesmo quando nós, homens, não pensamos da mesma forma ou não possuímos a mesma razão, deve existir uma espécie de "razão universal", que dirige todos os fenônenos da natureza, havendo assim uma unidade, um todo.
Esta "alguma coisa" que era subjacente a tudo ele chamava de "Deus" ou de "logos". (do livro: Diário de Sofia)

Seja como for, cada um ao seu tempo, de acordo com suas experiências, tentou achar um significado para nossa existência.
Cada um tentou explicar o mundo ou o homem. Alguns creem que "Deus" não existe, outros que tudo depende da vontade "dele".
Uns dizem que "Deus" está no céu, outros que "Ele" vive dentro de nós.
Quando era criança pensava: como pode Deus ser 3 pessoas em uma só? A "Santíssima Trindade". Como pode estar em toda a parte se o mundo é tão grande?
Depois, já adolescente, me perguntava: Deus existe mesmo? Então porque deixa orfãs muitas crianças levando suas mãezinhas? Por que permite que existam guerras?
Hoje me questiono: Por que o ser humano ainda não conseguiu enxergar que o mal e o bem dependem somente de suas próprias ações?
Quando fiz Cursilho, uma frase ficou marcada em minha mente: Você só é capaz de dar aquilo que você tem.
Se teu coração está cheio de amor, então você é capaz de dar amor, se está cheio de ódio não tem como oferecer outra coisa.
Vejo, que cada dia mais, os corações estão cheios de cobiça, inveja, prepotência, falsos valores...e que cada dia mais passamos isto às nossas crianças e jovens...
E depois reclamamos: Essa juventude não tem mais jeito!!! Essas crianças estão impossíveis!!!
Creio que precisamos fazer uma pausa para refletir.
Buscar a unidade na dualidade.
Ignorar o mal não é a solução. Achar que Deus proverá, também não.
Está na hora de sermos honestos primeiramente com nossos corações. Parar para ouví-lo e, quando agirmos, pensarmos antes se aquilo que vamos fazer aos outros gostaríamos de receber da mesma forma.
Já nos dizia São Francisco: é dando que se recebe. Vamos dar as mãos e doar nossos corações repletos de amor puro e verdadeiro, encher nossas mentes com valores e agir com integridade.
Será que Heráclito não tinha razão?
Já vivemos muito tempo e sabemos exatamente distinguir o bem do mal... sabemos que o bem é muito mais prazeroso que o mal, mas insistimos em fazer as coisas da maneira errada, visando lucros, status, notoriedade... e recebemos de volta: insegurança, desamor, inveja, traição e tantos outros males.
Ou será que você pensa como Parmênides que dizia que "nada pode mudar"?
Eu sou mais Heráclito: "tudo se transforma".

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Distância



Segundo o dicionário, distância significa espaço entre duas coisas ou pessoas, ou afastamento...
Se levarmos em conta o significado "matemático" estamos distantes daqueles que estão longe de nós fisicamente, pode ser a alguns metros ou quilômetros, aqueles que moram em outras cidades ou países...

Se tomarmos o significado "emocional", distante é aquele que mesmo vivendo sob o mesmo teto, está a quilômetros do outro.

Qual o pior tipo de distância?

Para mim o segundo tipo.

Não tem nada pior que a indiferença e a invisibilidade, seja na multidão ou na sua própria casa.

Aqueles que estão em nosso coração, mesmo estando distantes fisicamente, sempre nos fazem companhia.

Muitas vezes podemos ter conversas inteiras com pessoas que estão distantes sem nem mesmo usar um telefone ou qualquer outro meio de comunicação.

Também podemos "conversar" com aquelas pessoas queridas e que já partiram para outro tipo de espaço ainda desconhecidos pra nós.

Mas, muitas vezes, elas continuam a nos fazer companhia, a nos aconselhar e viver dentro de nós... Continuam próximas.

Para realizar esta viagem e ficarmos bem pertinho das pessoas que estão distantes basta que uma palavra venha visitar nosso coração: SAUDADE!

Ela é nossa agente de viagem. Ela nos teletransporta a qualquer lugar, para junto de qualquer pessoa ou lugar.

O melhor é que não se paga nada por esta viagem... talvez algumas lágrimas... mas de emoção, de saudade ou de alegria quem sabe...

Assim posso estar a qualquer hora em qualquer lugar com aqueles a quem amo.

Aí a distância não existe.

Se fecho os olhos posso até sentir o cheiro, o toque, ouvir as palavras...

Distância doída mesmo é aquela que se sente quando se está ao lado de alguém e percebe que mesmo a alguns passos estamos a quilômetros e cada um de um lado de um abismo impossível de transpor.

Então, o jeito é tentar construir uma ponte... mas o material para construí-la está um pouco escasso no mercado, ele se chama Amor.

Amor de verdade... não aceite imitação...porque se não for o legítimo ela poderá ruir...

Que as distâncias sejam cada vez menores entre os seres humanos e que todos possam construir milhares de pontes e, seguros e firmes, possam caminhar de mãos dadas e, que a felicidade seja uma constante no coração de todos.



domingo, 12 de outubro de 2008

A origem dos sobrenomes


Quando conheço alguém a primeira coisa que me ocorre é perguntar o sobrenome.
Saber se tenho algum parentesco ou se conheço alguém com sobrenome igual me faz parecer mais íntima, mais segura... coisa de gente curiosa ou, sei lá, de gente mais antiga...
Mas a origem dos sobrenomes é bastante interessante e sempre me interessou.
Antigamente as pessoas recebiam apenas um nome pelo qual eram chamadas...
Como as comunidades eram pequenas era perfeitamente possível viver assim.
A primeira forma de nome foi inspirado na própria natureza, com os elementos da natureza. Quem não se lembra dos filmes onde é comum entre os indígenas nomes de aves e pássaros.
Nos famosos "Bang-bangs" os índios americanos tinham nomes como Touro Sentado, Cabeça de Águia...
Na história da civilização européia, de onde vem a minha família, foram os romanos os primeiros a identificar as pessoas, principalmente os nobres. As identificavam pelo castello ou casa nobre.
O Imperador Caio Júlio César se chamava assim porque Caio era o primeiro nome, Julio era a identificação da família e César era identificação pessoal.
Os romanos foram os primeiros a usar nomes triplos.
Depois isto passou também para as castas inferiores da população.
Os indivíduos começaram a ser distinguidos pela região ou cidade onde moravam, exemplo Antonio Di Marche, Giorgio di Siena...
Acontece que a população crescia e havia mais de uma pessoa com o mesmo nome morando em uma mesma região ou cidade.
Assim começaram também a usar características pessoais como Rossi (da família dos ruivos-vermelhos), Grassi (da família dos gordos) , Moretto (se eram morenos) ou a usarem a profissão como forma de identificação.
Quem trabalhava como ferreiro podia ser chamado Ferro, Ferraio, Ferrarezzi, Ferrari etc...
Uma pessoa podia ter vários fatores que a identificavam: Antonio Rossi di Siena.
Nasciam assim os sobrenomes.
Depois de uma certa "anarquia" entre os séculos XII e XV é no Concílio de Trento (1545/1564) que se tornou obrigatório aos padres (porque eram nas paróquias que se fazia o assento nos livros, por ocasião do batizado) registrarem as pessoas com nomes e sobrenomes para evitar consanguinidade e também para transferência de herança.
Na Itália entre os sobrenomes mais comuns estão Rossi e Ferrari.
Embora sendo o chinês, o povo mais populoso do planeta, é na China que encontramos o menor numero di variações do sobrenome.
Cerca de 3000 são amplamente difundidos e só 200 são sobrenomes duplos.
Os quatro sobrenomes mais difundidos na China são: Zhang, Wuang, Li e Zhao.
Quase 100 milhões de chineses tem o sobrenome Zhang.
Para diferenciá-los usam as características pessoas.
Na Europa a presença dos bárbados também influenciou os sobrenomes. Assim o sufixo "son" passa a fazer parte do nome, exemplo: Johnson, significa Filho de John. O Pai se chamava John então o filho dele é Johnson.
O mesmo acontece con os sobrenomes de origem eslava. O sufixo vic - Petrovic, filho di Petro.
Entre os portugueses encontramos muitos sobrenomes como: Pinheiro, Carvalho, Machado, Oliveira...
Motivo: por ocasião da perseguição aos judeus, muitos se refugiaram em Portugal e mudaram seus sobrenomes. Mas para serem recolhecidos na comunidade judaica tomaram para sí elementos da natureza, principalmente relacionados às florestas. Era uma forma de manter-se fiel à sua origem e ao mesmo tempo oculto dos seus perseguidores.
E você? Sabe a origem do seu sobrenome? Tem curiosidade?
Eu acho um assunto muito interessante...



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Saber Viver



Não sei...

Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos

Tem sentido,

se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

Não seja nem curta,

Nem longa demais,

Mas que seja intensa,

Verdadeira, pura...

Enquanto durar


Cora Coralina


Recebi e não resisti

Tive de dividir ... São palavras lindas,

ditas por uma pessoa

incrível.

Uma mulher que soube como ninguém traduzir

seus, nossos, sentimentos

de uma forma simples

porém intensa e verdadeira.



domingo, 5 de outubro de 2008

Solidão!


O dia chora

continuamente...

As horas passam

lentamente...

Meu coração sangra

silenciosamente...

Quero o sol,

Quero o mar,

Quero a flor,

Quero o amor...



Angela

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Limites

Mal voltei e quase tenho que ficar de quarentena...
Não, não peguei nenhuma doença no Pantanal...
Imagine só, logo no meu primeiro dia de retorno às atividades esportivas quebrei o dedo, justamente o indicador da mão direita.
Bem, se eu já "catava milho" no teclado agora tenho de fazê-lo sem a ajuda do dedo principal...
Mas tudo tem seu motivo.
Pelo menos assim penso eu.
Este pequeno inconveniente está me fazendo repensar o modo de fazer as coisas.
Coisas tão simples e banais, coisas corriqueiras que fazemos sem nos dar conta da importância de um simples dedo...
Agora é que percebo o quão perfeita é a nossa natureza.
Perfeita e sábia...
Aquilo que era quase impossível de se fazer no início, agora já consigo fazer sem tanto esforço, bastou algumas pequenas mudanças na forma de realizar, de pegar, de agir e pronto...
Logicamente que não da mesma forma, mas tudo é possível...
Aliás tenho pensado um bocado também nas pessoas que por algum motivo tiveram que se readaptar: perda de membros, paralizia ou cegueira... e também nas pessoas já portadoras... Como deve ser difícil para elas ter de se adaptar a um mundo feito e pensado pelos "perfeitos"...
Ao mesmo tempo me orgulho delas por haverem conseguido superar os desafios, por nos mostrar que é possível que anormal é pensar que somos perfeitos...
Como me orgulho desses heróis paraolímpicos e também dos heróis anônimos...
Pessoas altamente capazes... capazes de levar suas vidas, de construir e de nos ensinar pelo exemplo, apesar de suas limitações.
Se um simples dedo, apenas imobilizado, já me dificulta para algumas coisas, imagine como deve ter sido a vida do nosso campeão Daniel Dias que levou muitas medalhas na natação com apenas uma das pernas perfeitas.
Logo na natação, onde mãos e pés são imprescindíveis.
Motivação e superação...
Palavras mágicas que devemos ter sempre em nossas mentes.
Nada é difícil ou impossível quando se tem motivação.
Desafios devem ser vistos como trampolins.
Quanto maiores e mais altos maior a beleza dos saltos.
Para isso basta apenas coragem e determinação.
E limites só existem para serem superados.