A palavra sogra deriva do vocábulo latino socrus.
Ele dá origem à muitas palavras com mesmo significado tais como: suocera (italiano), suegra (asturiano, catalão e espanhol), socrus (curdo), soacrã (romeno).
Esta palavra que serve de tema para inúmeras piadas tem por definição no dicionário: a mãe de um dos cônjuges em relação ao outro.
Engraçado que ela é sempre o alvo principal das piadas e o mesmo não acontece com o sogro. Mas, por que será? Seria mesmo que todas as sogras são uma ameaça? Seria ela uma bruxa, uma cobra, uma cascavel, uma jararaca? (haja apelidos para ela!)
Mas não foi exatamente esta mulher quem criou aquele rapaz que hoje se esposa ou aquela moça pela qual você se apaixonou perdidamente?
Se ela fez um trabalho tão bom cuidando do seu (sua) amado(a) até o ponto dele (a) tornar-se irresistível para você e te fazer amá-lo tanto, seria mesmo que ela é uma pessoa tão má a ponto de você querer vê-la longe?
Não, não creio que as sogras sejam más, nem que genros ou noras pensem exatamente isso, o que acho é que ela é uma pessoa tão importante na vida do nosso amado que inconscientemente temos medo de perdê-lo, ou então temos dificuldade em dividir ou aceitar que nosso parceiro(a) possa ter lugar no coração para mais alguém além de nós.
O fato seria então uma questão de ciúmes?
Creio que um pouco sim, de ambas as partes: uma que não aceita que outra mulher possa fazer parte do coração do amado e a outra que não aceita que agora o coração do filho(a) possa haver lugar para outro amor.
Cria-se então uma espécie de batalha.
E, quando sabemos que nosso inimigo é poderoso e, que dificilmente podemos combatê-lo, criamos então uma forma de diminuí-lo.
Surgem as famosas depreciações, as píadas, as críticas... tudo como um subterfúgio para parecermos maiores e assim fazermos o ser amado ter olhos somente para nós.
Creio que todos os casais passam por isto.
Não fui caso à parte.
Creio que minha sogra, no início também tinha um certo "medo" de mim.
Eu era órfã de mãe desde os nove anos. Cresci só com meu pai, sem outros irmãos. Naquela época, mulher boa para se casar era aquela que sabia cuidar da casa, dos filhos e muito bem do marido.
Ela deve ter pensado: O que vai ser do meu "filhinho" quando ele se casar?
Uma menina sem mãe, não deve ter aprendido nada dos deveres de casa e, além do mais sem o mesmo padrão de vida (assim pensava ela).
E, assim quando me casei e passei a morar vizinha da casa dela, muitas vezes ela vinha até a minha casa para "verificar" como as coisas estavam.
Abria o guarda-roupas para ver como eu arrumava as roupas do filhinho.
Fazia uma inspeção geral. Perguntava se eu havia engraxado os sapatos dele, etc.
Era uma baita intromissão. Afinal, a casa era minha.
Mas, eu nunca lhe respondi, nem ofendi.
Havia aprendido desde muito criancinha a observar, a analisar. E percebia o amor e cuidado que ela tinha para com o filho.
Na verdade ela nunca encontrou em minha casa nada que pudesse criticar, pelo contrário, se eu fora obrigada, pelas circunstâncias da vida, a tornar-me dona de casa aos 9 anos, eu sabia fazer de tudo, até costurar... e ainda trabalhava fora como professora.
Bem, o tempo passou, vieram os meus filhos.
Eu os ensinei a amar minha sogra assim como eu também a amava. Eu sempre a amei como mãe.
Como já disse eu perdi minha mãe muito cedo, aos 5 para uma doença que a impedia de falar e depois, definitivamente, aos nove. Assim não me recordo nem de sua voz.
Já com minha sogra convivi quase 30 anos e hoje ela me faz muita falta. Um ausência que ainda dói. Sei que ela também me amava e me fazia muitos elogios.
Hoje eu estou no papel de sogra. Espero que um dia minhas noras também me vejam como mãe. Afinal se fui tão eficiente em criar meus filhos a ponto de serem os escolhidos por elas é porque tenho algum valor.
Que todos que ainda tenham suas sogras, repensem.
Comecem a vê-las como alguém que só deseja o melhor para seus filhos e se o melhor para eles é você, então ela também te ama muito. Viva a sogra!
.jpg)



