quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Coisas da vida


Nas luzes da manhã,
sobre as pétalas róseas
sirvo de espelho para tua alma.
Reflito aquilo que te vais n'alma.
Como lágrima escorro suavemente
até encontrar o solo ressequido.
Neste pingar lento e sereno
levo a vida.
Ou será que é a vida quem me leva?
Sempre apressado passas por mim
e não me vês...
Sempre olhas para o vazio,
por isto sou apenas uma incógnita.
Quando não me acabo no chão
evaporo com os primeiros raios do sol
e você nem me percebes.
Coisas da vida...
Fazer o quê?

Angela Leda
26/11/2008

Obrigada pelo selinho Agda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Uma história do Mestre Benjamim


A tenda do Mestre Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula e pele cheia de rugas lhe pediu: "Mestre, fale-nos sobre Deus..."
Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.
"Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão pensando no ar? Por favor, levantem a mão..."
Ninguém levantou a mão.
"Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no ar. E, no entanto, todos nós o estamos respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...
" Que desejamos para nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por aí a correr, a cantar e a brincar, pensando nas coisas de criança.
Mas enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho, ao se levantar viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e repetisse ao meio da tarde e de noite fizesse tudo de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando."
Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.
"Deus é como o vento. Sentimos na pele quando passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvore e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de "casa de Deus". Mas se Deus mora numa casa estará ausente do resto do resto mundo? Vento engarrafado não sopra..."
Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.
"Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza. Deus nos deu asas. mas as religiões inventaram gaiolas.
Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cri-cri rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida. Não precisamos dizer o nome -rosa- para sentir seu perfume.
Deus mora no nosso mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. Quer ver Deus? Veja a beleza do Sol que se põe. Quer ouvir Deus? Entregue-se à beleza da música.
Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o cheiro do jasmim. Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma criança num balanço.Eu vejo Deus em cada uma das vinte e quatro horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus."
Ouvindo estas palavras a velhinha sorriu para o mestre Benjamim e fez um sinal com a mão, abençoando-o.

Do livro "Perguntaram-me se acredito em Deus" de Rubem Alves.

domingo, 23 de novembro de 2008

Joio e trigo.


Desde criança que ouvia falar do apocalipse... e quando falavam via nos rostos sempre um sinal de apreensão, de medo... um medo que vinha do interior, um medo quase irreal, um medo de coisas inimagináveis...
Eu era criança e aprendia no catecismo coisas sobre o céu e o inferno e que devíamos ter medo do "diabo" e sempre pedir proteção à Deus.
Em casa, havia o maior respeito com os santos, as coisas sagradas, a ponto de se cobrir todos os santos e espelhos na semana santa e, na sexta-feira da paixão,jejuar e não se olhar nos espelhos nem para se pentear...
Havia também respeito para com os mortos. Quando alguém morria rezava-se missa e se fazia novenas e o cemitério era chamado "campo-santo". E eles realmente descansavam em paz.
As crianças nunca se intrometiam nos assuntos dos mais velhos e brincavam felizes, esperando pelo "Papai Noel", procurando serem boazinhas para ganhar o esperado presente, que muitas vezes acontecia só no Natal mesmo e, era apenas um.
Com ele se brincava o ano inteiro e aprendia-se a conservá-lo, a ter carinho pelo que se tinha, se valorizava cada gesto de atenção, de carinho, de afeto.
Tempos antigos? Nem tanto... Passou-se menos de meio século e hoje podemos ver que tudo está mudado.
O Natal está chegando e a grande preocupação está nas compras que se fará para o Natal, como se já não se consumisse e se comprasse tudo que se precisa durante todo o ano.
Costumo dizer que hoje fazemos Natal todo dia, no que se refere a comilança... Hoje comemos frutas, castanhas e nozes em qualquer tempo, também o panetone está a disposição o ano todo...Refrigerante, que era artigo de luxo, hoje temos para escolher e beber a qualquer hora. Alguns até já substituiram a água por ele.
As crianças fazem lista de presentes ao bom velhinho, que sabem não existe, mas fingem acreditar e vão aos shopping com os pais para comprar tudo o que querem... Aprendem desde cedo a consumir e a enganar-se e fingir como os pais.
O fato mais importante do Natal fica em segundo plano... Jesus? Quem é ele? Aquele cara que morreu na cruz? Que tolice!!!
Respeito aos mais velhos? Coisa de babaca, de gente ultrapassada...Hoje o que impera é o "eu". Cheguei primeiro no ônibus, sento. Tenho direito... "tô pagano"...
A falta de respeito para com os idosos ou deficientes é tanta que já foi preciso leis para reservar vagas para eles nos ônibus, trens, estacionamentos...
Esta semana presenciei una cena lamentável de desrespeito.
Fomos assistir a apresentação de grupos de jovens que participaram durante o ano de vários projetos sociais em nossa cidade.
Jovens, principalmente de bairros, tiveram a oportunidade de aprender a tocar instrumentos musicais de corda, de sopro, de percussão... formaram orquestras, outros a dançar: tango, Hip Hop, entre outras modalidades, até desfile de modas apresentando roupas criadas pelos alunos.
Tudo muito bonito... hora de ser grato por receber gratuitamente a oportunidade de desenvolver talentos e preparar-se para alguma profissão. Afinal não é disso que todos precisamos? Oportunidades?
Prefeito presente, autoridades e a platéia mais parecia um mercado de peixe... Não se podia ouvir , nem apreciar nada ... apesar de todos os pedidos de silêncio... E quem estava se apresentando eram filhos, amigos... Era hora de prestigiar, mas os "manos" e "minas" queriam eram curtir... Respeitar quem queria ouvir?!...Isso não passava pela cabeça deles.
Quando ouço na TV casos como o da Eloá, o que me ocorre é que estamos começando a colher aquilo que muitos pais, por medo de educar e corrigir seus filhos ou por medo de "traumatizá-los", não souberam dizer "não" na hora certa.
Jovens que crescem sem conviver com o não tornam-se egocêntricos e não toleram quando alguém lhes nega qualquer coisa e, então, se frustam e matam.
Enquanto tivermos medo de educar nossos jovens, seja na família, na escola ou na sociedade, eles se tornarão "reizinhos" e nós todos seus reféns.
Ouvi outro dia uma reportagem sobre pichadores. A repórter entrevistava duas garotas que picham a cidade (engraçado como repórteres descobrem pichadores, bandidos e fugitivos e a polícia não).
Bem, elas estavam felicíssimas com o fato e diziam na maior cara dura: "Pô meu,é a mô adrenalina meu... o que nóis gosta memo é quando a gente tamo pichano e vem a puliça, aí a gente sai disparado e eles num pega a gente... Meu... é demais!.. a gente ri dos cara...Pichá é que nem um vício, quando si picha uma veiz nunca mais a gente qué pará.."
Pois é... e eu fico pensando o que essas garotas terão a ensinar aos seus filhos? Quais valores elas irão passar para as novas gerações?
Parece que hoje o joio está tomando conta do trigo, infelizmente!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anjo triste


Anjo Triste
O tempo é um rio sem nascentes
corre incessantemente para a eternidade
mas
em inesperados trechos de seu curso
o nosso barco se afasta
e vai
para algum lugar
feito de antigas águas passadas
e só Deus então
sabe o que vai nos acontecer.
Talvez sejamos como náufragos
num oceano sem fim,
tentando chegar as margens
dos verdadeiros sentimentos...
Talvez sejamos como uma ostra
em uma concha fechada
e não nos resta nem o consolo
de estar produzindo uma pérola rara...
Entre o sonho e a realidade
entre a vida e a morte,
cai a sombra.
Entre esta sombra e a claridade
eu vivia
sem, aparentemente
ter outra ambição,
do que a de manter a paz
e a solidão...

(Dulce Miller - outubro de 1986)

Esta linda poesia é da Duzinha. Uma mulher que sabe o que quer e escreve muito bem. Se ainda não conhece seu blog, indico com prazer:/moca-do-sonho.blogspot.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Il Signor Veneranda


O texto abaixo é parte do livro "Il signor Veneranda de Carlo Manzoni.
Este italiano escreve textos sempre muito bem humorados e esta personagem é uma das minhas preferidas.
Aqui vai uma tradução do texto:

O senhor Veneranda parou na porta de entrada da auto-estrada Milão-Torino.
"Torino" disse ao bilheteiro que estava na casinha do pedágio.
O bilheteiro olhou para o senhor Veneranda e depois olhou em volta na praça de pedágio deserta onde não havia nem mesmo um automóvel.
"Mas... " murmurou o bilheteiro, "e o carro?"
"Que carro?" perguntou o senhor Veneranda, surpreso.
" O automóvel", disse o bilheteiro, "O senhor não tem automóvel?"
"Eu não" disse o senhor Veneranda, "eu não tenho automóvel. Por quê? O que tem de estranho? Existe tanta gente que não tem automóvel e por que eu deveria tê-lo? Parece a você que eu tenha cara de quem deveria ter automóvel?
" Eu não sei" balbuciou o bilheteiro, "mas se o senhor quer ir a Torino com a auto-estrada, deveria, portanto ter um automóvel."
"Eu não vou a Torino com a auto-estrada" disse o senhor Veneranda, "não posso ir lá exatamente porque não tenho automóvel. E depois o que deveria eu fazer em Torino?"
"Não sei... é o senhor que me disse Torino," balbuciou o bilheteiro que não sabia o que dizer.
"Eu disse Torino, com certeza" disse o senhor Veneranda, "isto não nego. Mas todos podem dizer Torino quando querem, não te parece? Não entendo porque quando alguém diz Torino deveria, segundo o senhor, ir lá de automóvel."
"Está bem, mas então Senhor, o que quer de mim?" disse o bilheteiro cada vez mais confuso.
"Eu... nada", disse O senhor Veneranda, "disse Torino como poderia dizer Roma, ou Gênova ou outra cidade. Desagrada ao Senhor?"
"Não, mas ouça, se o Senhor não entra na auto-estrada com automóvel, deixe-me em paz" remungou o bilheteiro.
"Eh, que saco! gritou o senhor Veneranda perdendo a paciência, "agora preciso comprar um automóvel para agradar ao Senhor! Mas é um belo tipo! Olha que raça de gente!"
E o senhor Veneranda lhe deu as costas e si afastou remungando.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Intuição


Informação demais atrapalha?
Quem segue a intuição é mais feliz?
Segundo o pesquisador alemão Gerd Gigerenzer, sim.
Ele afirma que a intuição é mais potente do que se pensa e que muita gente poderia ser mais feliz se a seguisse con mais freqüencia...
Diretor do Departamento de Desenvolvimento humano do Instituto Max Planck, ele é um dos mais respeitados especialistas em heuristica do mundo.
Em seu mais recente livro, Gut Feelings - The intelligence of The Unconscious (Sentimentos do Instinto - a Inteligência do Instinto) diz que decisões baseadas em pouquissimos dados e guiadas por um certo sexto sentido acabam freqüentemente mais acertadas do que as precedidas por longa e cuidadosa reflexão.
Depois de analisar diversos experimentos comportamentais, ele concluiu que, muitas vezes, informação demais atrapalha.
"O coração tem razões que a própria razão desconhece" escreveu o filósofo francês Pascal.
O instinto é uma espécie de atalho tomado pelo cérebro sem que a gente perceba.
Essa teoria contradiz o que a psicologia acreditava até há pouco tempo.
Segundo Gerd é um erro tachar a intuição de instrumento de segunda classe.Assim como é um erro dizer que a pessoa só deve acreditar em seus instintos e jamais pensar muito antes de agir. São posições extremas e portanto não adequadas.
As duas coisas são importantes.
Temos de aprender a reconhecer o momento em que a reflexão consciente é mais vantajosa e quando é melhor confiar no instinto.
Dizem que as mulheres são mais intuitivas, mas tanto homens quanto mulheres têm esta percepção.
Em determinadas ocasiões, acertamos mais quando decidimos baseados num único e bom motivo do que quando pesamos prós e contras, por exemplo: quando vamos a um restaurante e ficamos muito tempo olhando o cardápio sem decidir o que queremos comer começamos a ficar ansiosos, sempre achando que há outra coisa melhor pra comer do que aquela que decidimos.
Melhor seria chamar o garçom e perguntar o que ele comeria, e não o que ele recomendaria - que é diferente.
Neste caso ele começaria a pensar demais e indicaria algo que talvez eu pudesse gostar por ser de outro país, ou por qualquer outro motivo ou talvez até ele ficasse indeciso e não soubesse responder.
Perder o medo na hora de tomar decisões e seguir um pouco mais a intuição, poderia nos deixar mais felizes.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Finados





Dia 1º de novembro: dia de todos os Santos.
Ou seja:dia de celebrar todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.
Dia 2 de novembro: dia de finados.
Ou seja dia de celebrar todos os que morreram e não são lembrados na oração.
O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram.
É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.
É celebrar essa vida eterna que não vai terminar nunca. Pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre.
Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio.
Mas estou aqui a me lembrar de como os costumes mudam. Agora então com uma velocidade imensa.
Quando era criança (nem faz tanto tempo assim ... foi no século passado... rsrs), as pessoas iam aos cemitérios, no dia de finados, literalmente para chorar seus mortos. Com semanas de antecedência começavam os preparativos.
Faziam,em casa, coroas de flores de papel. Geralmente de papel crepom nas cores amarela e roxa.
Pra mim, parece ser a cor dos defuntos porque, nos velórios, os caixões também eram de tecido roxo enfeitado com galões amarelos.
Havia também sempre 4 velas enormes que iam queimando até se findarem como se fossem lágrimas escorridas e deixavam no ar um cheiro misto de flor e de cera, inconfundível.
Mas voltando às coroas... elas eram até alvo de competição.
Muitas pessoas iam ao cemitério para ver de quem era a coroa mais bonita, mais enfeitada...
Haviam pessoas especializadas em fazer tais coroas e faturavam nesta época, tais como os floristas hoje e também um monte de vendedores ambulantes.
As coroas eram penduradas nas cruzes dos túmulos e ficavam lá até desbotarem pelo sol ou se desmancharem pela chuva.
Os mais ricos compravam coroas de flores de lata que duravam o ano todo.
Até na morte vemos as "castas" sociais.
Temos os túmulos ricamentes ornamentados com estátuas de anjos e santos em bronze e verdadeiras capelas recobertas de mármore ou granito.
Depois, vemos os mais simples, capelinhas caiadas ou túmulos recobertos com ladrilhos e, finalmente a turma da cova rasa, com direito a uma cruzinha, uma identificação e olha lá...
Os parentes dos defuntos mais ricos geralmente vão aos velórios de óculos escuros para disfarçar possíveis lágrimas, os pobres não as escondem e até fazem showzinho a parte...
Agora as coisas estão um pouco mudadas, pelo menos na cidade onde moro.
Dia de finados virou atração.
É dia de alegria, de encontros, de sorrisos e show aéreo. Sim senhor, "SHOW AÉREO".
Temos um novo cemitério, particular e muito bonito por sinal, que no dia 2 de novembro faz show aéreo com paraquedistas saltando para dentro do campo santo e outras coisas mais.
Uma festança!
Aliás, todo dia é dia de alegria alí.
Aos finais de semana, casais de namorados vão se sentar nos bancos dos jardins que tem lá dentro, pais levam os filhos para brincar no playground, turistas o visitam para ver o mini zoo e as carpas que nadam pacificamente no lago artificial.
O local é mesmo inspirador. Faz jus ao nome :"Paraíso da colina".
Sabe que dá até uma invejazinha de quem lá faz seu descanso eterno?
Não se pode dizer que ali eles têm companhia somente no dia de finados.
Pois é, as coisas mudam.
Só espero que os vivos ainda se lembrem que os mortos também precisam de uma oraçãozinha de vez em quando, mas esta não precisa ser exatamente no cemitério, pode ser em qualquer lugar, pois se o seu corpo está lá sob a lápide, seu espírito certamente ainda vive dentro do coração daqueles que os amaram em vida.
Eu sei, pois é aqui dentro do meu peito que mora, há 43 anos, minha mãe, há 6 meu pai e, também tantos outros parentes e amigos que já fizeram sua viagem.
Ainda converso com eles e espero que quando chegar o grande dia da minha viagem eles estejam na estação, esperando-me chegar, para finalmente matarmos as saudades.