
Muito já foi estudado sobre o poder secreto dos animais. Eu gosto especialmente de gatos. Ja escrevi sobre meus dois bichanos White e Fofa. Tive a honra de conviver todos esses anos com eles e o prazer de descobrir cada uma de suas manias, Vivemos bons momentos e também horas de muita preocupaçâo , especialmente com White.
Em 2002 estive doente e precisei fazer uma cirurgia delicada. White adoeceu também e, por mais que se tentasse descobrir a causa e fizéssemos os mais diversos exames, nunca se descobriu a causa porque ele se reusava a comer e perdia peso.
Nem mesmo os veterinários de uma universidade com toda a aparelhagem moderna conseguiram dar um diagnostico preciso. Estava tão mal que eu nao fazia outra coisa a nao ser dar-lhe medicamentos e injeções e leva-lo ao hospital para tomar soro.
Eu sofria com o sofrimento dele, tanto que uma noite rezei pedi a São Francisco para aliviar seu sofrimento, mesmo que isto custasse a mim um sofrimento muito maior, o da sua perda.
No dia seguinte, ainda cambaleante e fraco ele se levantou e começou a comer e assim aos poucos se restabeleceu.
Depois disto comecei a abservar que sempre que eu estava longe ou triste ele também adoecia.
Um dia ele e Fofa me surpreenderam com suas atitudes. Deitada de bruços sobre a cama eu chorava baixinho e senti que alguma se movia perto de mim. Logo senti um narizinho frio a cutucar meu braço como querendo que eu erguesse a cabeça e no outro braço lambidinhas quentes pareciam querer secar as lagrimas.
Eram eles querendo me animar. Mas o mais impressionante foi eles terem saido de seu repouso e virem juntos (uma coisa quase impossivel de se ver pois eles nunca se aproximavam tal era o ciumes entre eles).
Agora retorno de uma viagem de 3 meses e recebo a noticia que nunca queria ouvir. White se fora. Ficou doente e nao se alimentava mais. Veterinarios nada puderam fazer e 3 dias antes de minha chegada ele se fora para sempre.
Eu que contava com sua presença quando do meu retorno e ja pensava em White que certamente seria o primeiro a vir me encontrar, miando, como se quisesse dizer: onde voce esteve?
Desta vez ele não veio, a casa era triste e até Fofa com certeza sentia sua falta.
As lágrimas ainda rolam quando penso nele, afinal foram quase dezoito anos juntos. Ele fora sempre meu companheiro fiel, aquele que vinha me chamar quando chegava o final da tarde anunciando que eu deveria deixar os alunos e finalmente dar atenção a ele.
Era ele que me fazia companhia enquanto estava cozinhando, sempre ali deitado aos meus pés, silencioso feito uma sombra, mas sempre ali. Era ele que vinha roçar minhas pernas e dormir no colo sempre que me eu me sentia sozinha.
Adeus meu amigo e companheiro. Voce me fara muita falta, espero que agora esteja bem a ronronar bem pertinho de São francisco.
Nao mais sentirei seu miado, seu pelo macio, sua carinha linda, seu longo focinho, seu jeito matreiro e seus olhos azuis, mas certamente continuarás para sempre em minhas memoriass e dentro do meu coraçao,