quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Avaliação


Mais um ano que se completa.
Quer tenhamos ou não concluído nossa meta.
Mais um ciclo se fecha
que de bom nos resta?
Mais uma parte percorrida
mais uma etapa de nossa vida.
Hora de pausa
de desvendar velhas causas
e no recôndito de nossas entranhas
muitas vezes nos achamos estranhas.
Refazer velhos projetos
e jogar fora os dejetos.
Hora de faxina interior
de mergulho no plano inferior
de vasculhar todos os cantos
de rever nossos encantos.
Hora de reconhecimentos
hora de agradecimentos.
Tristezas e dores,
lágrimas e amores:
tudo é ingrediente
e nos torna diferentes.
Diferentes?
Não!
Somos todos iguais
seres tão banais
e ao mesmo tempo tão complexos.
Somos feitos de reflexos
reflexos de uma luz celestial
que se expande em fatorial.
Somos partículas,
meras cutículas.
Seres minúsculos
e queremos tudo maiúsculo
Que um novo ciclo recomece
que colhamos a boa messe
Que sejamos dignos da colheita
e que desta feita
façamos diferente
plantemos a semente.
Semente de amor e união
de paz e comunhão,
semente de vida
e que encontremos a saída.
Que o homem se reconheça
e que o amanhã aconteça.

Angela
31/12/2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

um pouco de reflexão


Não recebi nada do que pedi.

Pedi a Deus, para ser forte
a fim de executar projetos grandiosos,
e Ele me fez fraco
para conservar-me humilde.

Pedi a Deus que me desse saúde
para realizar grandes
empreendimentos,
E Ele deu-me a doença para
compreendê-Lo melhor.

Pedi a Deus riqueza, para tudo possuir,
E Ele deixou-me pobre para não ser egoísta.
Pedi a Deus poder para que os homens
precisassem de mim,
E Ele deu-me humildade para que
d'Ele precisasse.

Pedi a Deus tudo para gozar a vida,
e Ele me deu a vida para gozar de tudo.

Senhor, não recebi nada do que pedi,
Mas deste-me tudo o que
eu precisava
E, quase contra a minha vontade,
As preces que não fiz foram ouvidas.
Louvado sejas ó meu Deus!
Entre todos os homens
NINGUÉM TEM MAIS DO QUE EU!

(oração de um atleta americano que aos 24 anos, ficou paralítico e, encontrou Deus no sofrimento)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Natal


Novamente temos a felicidade de vivenciar o Natal.
Que ele seja sempre uma promessa nos corações, uma promessa de esperança de um mundo melhor, assim como foi o nascimento do menino Jesus.
Sabemos que a vontade humana nem sempre é perseverante.
Sabemos que nem sempre cumprimos aquilo que prometemos, nem mesmo aquilo que prometemos a nós mesmos.
Somos fracos na vontade e Deus sabe disto.
Talvez por isto mesmo temos o Natal uma vez ao ano.
Para refletirmos, para analisarmos... e de novo refazer nossos votos.
Nesta época desejamos a todos os nossos queridos que tudo lhes seja benéfico, que tudo seja pleno de alegria e paz e o mesmo desejamos a nós.
Desejamos também mudanças. Mudanças exteriores e interiores.
Em suma, desejamos a todos uma coisa que pode ser traduzida em uma única palavra: felicidade!
Se temos saúde devemos agradecer pois os que sofrem, que sentem dores no corpo ou na alma, não são felizes.
Se temos paz devemos agradecer pois aqueles que vivem em países que constantemente estão em conflitos ou guerras, não são felizes.
Se temos a alegria de termos nossos filhos ou pais ainda juntos de nós devemos agradecer pois muitos não podem dar aquele abraço apertado ou dizer: eu te amo, e por isso não estão felizes.
Se temos prosperidade, se temos trabalho e como sustentar nossas famílias devemos agradecer pois muitos não têm nem mesmo um pedaço de pão para saciar a fome de seus filhos e, isso, não os deixa serem felizes.
Se temos casa, ainda que simples, devemos agradecer pois muitos não têm onde morar, onde descansar seu corpo e, isto não traz felicidade.
Se temos amigos devemos agradecer pois muitos não têm nem um ombro amigo para as horas difícieis.
Se temos tudo isto é porque somos pessoas abençoadas e devemos agradecer a toda essa felicidade que gratuitamente recebemos.
Se não nos lembramos de agradecer diariamente a Deus por todas essas felicidades, que ao menos o façamos no Natal.
Obrigada meu Deus, por tudo que me proporcionas: minha família, meus filhos, meus irmãos e irmãs, meus amigos e amigas, minha casa, minha saúde... e abençõe principalmente aqueles que tem pouco ou nada, para que um dia eles também possam ser felizes como eu sou hoje.
Desejo a todos que tenham: teto, comida, saúde, amigos, amor e paz.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um dia muito especial


Já utilizei deste espaço para desabafar, criticar, agradecer, retribuir, homenagear e muitas outras coisas.
Hoje quero fazer um registro. Como quem usa um diário. Quero deixar registrado um dia muito especial em minha vida.
Claro que já tive muitos outros, nascimento dos filhos , etc etc etc.. mas este 26 de novembro, certamente ficará para sempre em minha memória.
Tive a felicidade de encontrar-me com um grande amigo, que veio da Itália para conhecer a minha família.
Nos conhecemos pela internet e, este ano tive a oportunidade de ir até a casa dele e conhecer toda a sua família.
Temos o mesmo sobrenome, mas dificilmente saberemos se somos parentes ou não.
Tudo indica que sim e que muito, muito antigamente, nossos ancentrais eram comuns.
Como saber?
Algumas palavras de seu dialeto (e isto é uma marca de identidade na Itália) são as mesmas que ouvia meu pai usando; também certas características físicas, costumes e até gostos pessoais...
Pode ser só coincidência, mas coincidência ou não, o fato é que hoje nos consideramos parentes.
É a pessoa mais bondosa que já conheci na vida. Desprendida e gentil. Sempre pronta a ajudar os outros. Vive nas proximidades das montanhas do norte da Itália, (pré Alpes) "I Dolomiti" portanto convive con a neve...Imagine quanto está sofrendo aqui nos trópicos, com o calor que faz nesta época.
Mas, quando o que nos move é a amizade, tudo o mais é irrelevante.
Sou uma pessoa de muita sorte. Tenho encontrado pessoas maravilhosas na internet e acabo fazendo amizades muito reais.
Este não foi o primeiro caso. Já escrevi sobre uma grande amiga que fiz já há alguns anos, também italiana, e que conheci pessoalmente quando estive na Itália.
Se chama Kátia e trabalha o dia todo em Verona. Sua família vive na cidade natal de meus avós.
Para mim é mais que um presente, é uma verdadeira jóia rara poder participar de seu rol de amizades. Sinto-me assim tão perto de minhas origens que até parece que nos conhecemos de outros tempos...
Mas, dia 26 foi também muito especial porque conheci outra grande amiga virtual: a Sharlene
Uma garota muito especial em todos os sentidos: dona de uma sensibilidade única, de um coração enorme e autora do blog "Meus detalhes vividos.
Nos tornamos mais que amigas. Já lhe disse que agora ela é minha filha do coração.
Quando ela ficou sabendo que eu estaria em Sampa para buscar meu primo que chegava da Itália, foi até à rodoviária só para nos conhecermos.
Nem preciso dizer que o tempo passou voando e precisei segurar as lágrimas quando nos despedimos.
Se tudo isto não bastasse presentou-me com um enfeite de Natal, feito por ela mesma e uma linda cartinha que guardarei com todo o carinho do mundo.
Sua imagem ainda trago em minha mente, bem como seu sorriso, sua meiguice, seu modo carinhoso de ser, seu abraço gostoso... são coisas que jamais esquecerei.
Obrigada Sharlene por existir, por oferecer-me sua amizade e permitir que eu faça um pouquinho parte de sua história.
Quem tem amigos tem tesouros.
Sou portanto, uma pessoa muito rica e feliz porque este tesouro se guarda num cofre chamado coração.
Pode-se caminhar tranquilamente com ele, ostentá-lo, e quando mais o dividimos maior ele fica.
É uma coisa verdadeiramente mágica.
A chave para este tesouro?
Basta um sorriso e uma dose bem grande de sinceridade.
E quando bate aquela dorzinha chamada saudade basta um pensamento para estarmos sempre próximos de quem amamos.
Como disse "Shá", não precisamos nem de palavras, os olhos falam por nós e expressam aquilo que o coração sente.
Parodiando a mensagem do seu Blog: "É por acaso que as pessoas entram em nossas vidas mas não é por acaso que elas permanecem."
Que assim seja.

Um dia muito especial

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Coisas da vida


Nas luzes da manhã,
sobre as pétalas róseas
sirvo de espelho para tua alma.
Reflito aquilo que te vais n'alma.
Como lágrima escorro suavemente
até encontrar o solo ressequido.
Neste pingar lento e sereno
levo a vida.
Ou será que é a vida quem me leva?
Sempre apressado passas por mim
e não me vês...
Sempre olhas para o vazio,
por isto sou apenas uma incógnita.
Quando não me acabo no chão
evaporo com os primeiros raios do sol
e você nem me percebes.
Coisas da vida...
Fazer o quê?

Angela Leda
26/11/2008

Obrigada pelo selinho Agda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Uma história do Mestre Benjamim


A tenda do Mestre Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula e pele cheia de rugas lhe pediu: "Mestre, fale-nos sobre Deus..."
Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.
"Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão pensando no ar? Por favor, levantem a mão..."
Ninguém levantou a mão.
"Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no ar. E, no entanto, todos nós o estamos respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...
" Que desejamos para nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por aí a correr, a cantar e a brincar, pensando nas coisas de criança.
Mas enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho, ao se levantar viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e repetisse ao meio da tarde e de noite fizesse tudo de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando."
Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.
"Deus é como o vento. Sentimos na pele quando passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvore e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de "casa de Deus". Mas se Deus mora numa casa estará ausente do resto do resto mundo? Vento engarrafado não sopra..."
Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.
"Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza. Deus nos deu asas. mas as religiões inventaram gaiolas.
Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cri-cri rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida. Não precisamos dizer o nome -rosa- para sentir seu perfume.
Deus mora no nosso mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. Quer ver Deus? Veja a beleza do Sol que se põe. Quer ouvir Deus? Entregue-se à beleza da música.
Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o cheiro do jasmim. Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma criança num balanço.Eu vejo Deus em cada uma das vinte e quatro horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus."
Ouvindo estas palavras a velhinha sorriu para o mestre Benjamim e fez um sinal com a mão, abençoando-o.

Do livro "Perguntaram-me se acredito em Deus" de Rubem Alves.