sábado, 28 de fevereiro de 2009

Lençóis – Ontem e Hoje

  Agência Carani - Rua quinze de novembro – aqui se pode notar o sentido inverso da via.agencia fordImagem 005

Concha Acústica – Bairro Jd Cruzeiro e Alvorada não existiam

concha acústica

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Alfaiataria Ciccone/ Famária Coração de Jesus/ Bar Guarani – década de 70

bar guarani

Imagem 009

Esquerda Casa Paccola – Direita Escritório Jacon/Gráfica Luminatti e ao fundo Banco do Estado de São Paulo

casa paccola Imagem 007 Rua Coronel Joaquim Gabriel – casas em frente à fabrica de refrigerante São Luizdestilaria ao fundoImagem 004

Antiga estação de trem de Lençóis Paulista – 1898 – chegada das primeiras famílias imigrantes da Itália

 

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Vista de Lençóis  e da antiga igreja Matriz – década de 20 e hoje o Santuário Nossa Senhora da Piedade que foi construída sobre a antiga igreja, já consagrada à mesma Santa.OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Imagem 015

Rio Lençóis – Proximidades do antigo Curtume – Hoje no local das casas está situado o SAAE

paradãoImagem 017

   

Construção da Ponte que liga o centro à Vila Contente – à esquerda antigo pastifício Nelli OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Imagem 012

Enchente do rio Lençóis - Hoje Ponte Luis CacciolariOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Imagem 011  Pátio da matriz – ao fundo caixa d’agua da fabrica de refrigerante e prédio onde funcionava açougue e bar

Hoje vê-se o prédio da casa da Vó e a casa da esquina recentemente demolida e um prédio ao fundo

praça igreja

 

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"Se queres prever o futuro, estuda o passado."

Confúcio

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Canção da tarde no campo

 

Caminho do campo verde

estrada depois de estrada.

Cercas de flores, palmeiras,

serra azul, água calada.

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Eu ando sozinha

no meio do vale.

Mas a tarde é minha.

 

Meus pés vão pisando a terra

que é a imagem da minha vida:

Tão vazia mas tão bela,

tão certa, mas tão perdida!

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Eu ando sozinha

por cima de pedras.

Mas a flor é minha.

 

Os meus passos no caminho

são como os passos da lua:

vou chegando, vale fugindo,

minha alma é a sombra da tua.

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Eu ando sozinha

por dentro de bosques.

Mas a fonte é minha.

 

De tanto olhar para longe,

não vejo o que se passa perto.

Subo monte, desço monte,

meu peito é puro deserto.

 noite

Eu ando sozinha

ao longo da noite.

Mas a estrela é minha.

 

Cecília Meireles.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Amor e ódio


Recebi do Luis Antunes, o Luantes autor do Blog Ecos do Bogas de Baixo o desafio de escrever publicamente coisas que eu gosto e coisas que eu não gosto.
Difícil porque as 3 escolhidas por ele coincidem com as minhas, mas tentarei ser diferente.
Primeiro: Adoro meus filhos. Creio que este seja o amor maior de minha vida. Amor incondicional. Amor de toda vida. Meu maior presente é vê-los felizes. Sou fã, sou admiradora, sou tudo que uma mãe pode ser. Por eles seria capaz de sacrifícios, e olha que já são adultos.
Segundo: adoro viajar, conhecer outras culturas, adoro conhecer pessoas, fazer amizades. Não importa se a amizade seja real ou virtual. conhecer pessoas e trocar experiências. Tem coisa melhor?
Terceiro:Amo a natureza. Tirando os mosquitos e pernilongos adoro todos os animais.Especialmente filhotes. E adoro as flores, as montanhas, os lagos, o mar...

Agora as três coisas que eu não gosto mesmo
De políticos em geral, salvo raríssimas exceções.
Odeio pedófilos. Tem coisa mais degradante que um indivíduo que consegue fazer mal a uma criança de uma maneira tão vil?
Odeio solidão. Não tem coisa pior que sentir-se só. Sentir-se invisível. Sentir-se objeto inaminado. Para uma pessoa sensível, de coração aberto, isto chega a sangrar e toda a alma se derrama em forma de lágrimas. O corpo dói. A esperança é a única arma.

Quanto a ter que desafiar mais três pessoas bloguistas,
prefiro desafiar os blogues,http://conduarte.blogspot.com/
http://eumatuto.blogspot.com/ e o blog da Nanda
http://multiplasrealidades.blogspot.com/

Beijos a todos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Renascer




"Renascer é preciso, e no tempo certo.
Sair do nosso próprio casulo, romper com o estabelecido e o seguro para tentar algo maior.
Transformar-se exige esforço - e também paciência para esperar o tempo certo.
Tempo de se fortalecer, de ganhar prumo, antes de se aventurar por outros horizontes. processo muitas vezes solitário, como é para a lagarta, que não vira borboleta se apressarem sua metamorfose.
Que maravilha ela se torna quando ganha uma nova identidade e voa, exibindo sua altivez.!"

Este texto li na revista Bons fluidos(07/2006) mas é muito parecido com uma poesia ( se é que posso definir assim) escrita por mim em 2002 e que foi minha primeira postagem neste blog.

No meu tempo de lagarta, sensível e vulnerável fui "comendo" tudo que pudesse servir para me deixar forte, para resistir.
Lutei contra intempéries, segurei o pranto, engoli a infância, fui a guerreira sem nunca ter entrado para o exército, ajudei quando eu precisava de ajuda.
Era frágil, mas devia ser forte.
Criei carapaça, formei meu casulo.
Para alguns, meu casulo parece ser de seda, para outros de espetos.
E assim dentro desde meu invólucro levo a vida e espero meu dia de borboleta.
Sou crisálida em tempo de espera.
Sei que chegará o dia de romper o casulo.
Aí quero voar alto e livre.
Quero ser feliz e encantar com minhas cores as crianças e os enamorados.
Quero iluminar o dia das pessoas como as borboletas iluminam os canteiros que visitam.
Daqui deste meu pequeno mundo posso ver muitas coisas e sentir e pensar e principalmente sonhar.
Sonhar com um voo livre no céu azul de uma primavera que não tardará a chegar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Nossos anjos


Anjos reais ou virtuais?




Estes anjos, recebi hoje, de uma amiga que conheci há 9 meses quando estudávamos em Castelraimondo, na Itália.
Uma amiga que veio de um lugar distante e frio, o Canadá.
Bastante falante e comunicativa mostrava-me sempre, com orgulho, as fotos da netinha que recebia via internet e que nascera enquanto ela estava lá na Itália e que ansiava por conhecê-la pessoalmente.
No seu rosto havia sempre um sorriso.
Uma noite veio até nosso apartamento onde fizemos um jantar.
Nos passeios, muitas vezes sentávamos juntas e conversávamos durante o trajeto.
Um modo de praticar um pouco o idioma que estávamos aprendendo.
Eu gostava muito.
Fiz muitos amigos, mas a maioria eram brasileiros e assim era difícil não falar português, mas como Jocelyne não conhecia português e eu não conhecia francês, o único modo de nos comunicarmos era usando italiano.
Lembro-me uma vez, que ficou com a pele muito vermelha do sol. Acostumada aos invernos rigorosos de Quebec e ao sol tênue não se preveniu e ficou rosada e todos nós ficamos apreensivos.
O tempo correu rápido e depois daquele mês cada um foi para um lado, mas ela continuou a enviar-me emals e a presentear-me com sua amizade.
Hoje rendo minha homenagem a esta pessoa que por um mês ofereceu-me sua amizade e simpatia e continua a presentear-me com imagens como esta.
Obrigada amiga Jocelyne, que os anjos te protejam sempre, onde quer que estejas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O livro da minha vida


Vidas secas
Devia ter mais ou menos dez ou onze anos.
Não tinha televisão ainda na minha casa.
Vivíamos somente eu e meu pai.
Nossas noites resumia-se a ouvir músicas através do rádio e jogar cartas ou ainda ouvir histórias de assombração, de Saci Pererê e mula sem-cabeça.
Na escola começava o ginasial, hoje quinta série.
Do mundo pouco sabia.
Criança, naquele tempo, não participava da conversa dos adultos.
Portanto, creio que comecei a conhecer o mundo através dos livros.
Os professores nos mandavam ler livros de Machado de Assis, de José de Alencar e tantos outros escritores.
Lí: A moreninha, O Tronco do Ipê, A pata da gazela e mais um sem número deles, mas o livro que marcou minha vida a ponto de até hoje lembrar-me dos nomes das personagens foi Vidas secas, de Graciliano Ramos.
Foi a descoberta de um novo mundo. O mundo real.
Um outro Brasil que eu não sonhava existir.
Pessoas que eram muito, mas muito mais pobres, de todos os pobres que eu conhecia. Eram pessoas que lutavam para sobreviver, que não tinham o que dar de comer aos filhos, pessoas que não tinham mais carnes no próprio corpo, pessoas que tinham pés rachados pelo braseiro do chão castigado pelo sol inclemente.
Esse livro retrata fielmente a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas como nos dias de hoje tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade, seca, o que nos remete a idéia de que o homem se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.
Os principais personagens são: Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais novo e o menino mais velho, que compõem a família de retirantes; a cachorra Baleia, que é praticamente da família também; Seu Tomás da bolandeira, que aparece apenas das lembranças dos retirantes; o soldado amarelo, o dono da fazenda em que os retirantes se estabelecem e o cobrador da prefeitura, estes representam instituições que oprimem Fabiano (a polícia, o latifundiário e o governo).
A animalização e a incomunicabilidade dos personagens dramatizam a questão da fome e da miséria com que sofrem os retirantes oprimidos pela seca, pelos latifundiários (representados pelo patrão de Fabiano) e pelas autoridades exploradoras (representadas pelo soldado amarelo).
A animalização fica evidente em diversas passagens de Vidas secas, como, por exemplo, no capítulo “Fabiano” em que o personagem-título afirma para si mesmo: “Você é um bicho, Fabiano”.
Sente-se o cansaço, a fome e a dor que sufoca até a fala dos retirantes na narrativa do livro:

"Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos."
"A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas"
"Resolvera de supetão aproveitá-lo (papagaio) como alimento..."
"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores".


Eu lia e relia os capítulos e chovara com eles e por eles.
Quando tiveram de matar Baleia, a cadela que era quase um membro da família para servir de alimento a eles próprios, chorei copiosamente.
Sentia o calor que queimava os seus pés...
Recordava-me quando era menor e minha mãe precisava de alguma coisa da venda e mandava-me correndo buscar.
Eu ia, sempre descalça, e tinha de correr de árvore em árvore, sempre buscando uma sombra para esfriar as solas dos pés que queimavam feito brasa quando pisava na calçada quente.
Esta recordação sempre me vinha à mente quando lia a saga daqueles nordestinos que não tinham nem mesmo uma sombrinha de arbusto onde refrescar a cabeça.
Ainda hoje as imagens criadas em minha mente são muito vivas e também as sensações e emoções que vivenciei enquanto o lia.
Acho que este deveria ser um livro de leitura obrigatória à toda pessoa que pensa em ser político.
E só seriam aprovados aqueles que sentissem a emoção sair pelos olhos. Quem sabe assim poderíamos resolver alguns dos nossos muitos problemas de pobreza.


Personagens de Vidas secas: Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais novo, o menino mais velho, da esquerda para a direita


Vidas secas

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Acreditar



Acreditar!
Esta é uma palavra mágica.
Quando acreditamos verdadeiramente que alguma coisa é possível então ela deixa de ser apenas possibilidade para se tornar realidade.
Jesus nos deixa inúmeras provas do poder de nossas mentes.
Uma vez no mar da Galiléia quando andou sobre as águas deixou claro que não fazemos muitas coisas por não acreditar que elas sejam possíveis. "Homens de pouca fé!"
Ainda mostrou isso outra vez quando ressuscitou seu amigo Lázaro, depois de 3 dias que estava morto e sepultado, e depois outra quando disse àquela mulher: "tua fé te curou".
Então é preciso ter fé, acreditar.
Muitas coisas acontecem comigo e acontecem só porque acredito verdadeiramente que um dia elas se realizarão.
Um dia ganhei um botão de rosa, daqueles enormes, lindo, vermelho, da qualidade "príncipe-negro".
De tão vermelho parecia que o aveludado de suas pétalas chegava a ser negro nas bordas.
Com todo carinho o levei para casa e, no vaso mais bonito, o coloquei para ver desabrochar uma rosa deslumbrante.
Mas, ele se dobrou, curvou-se sobre o cabo talvez por conta do seu próprio peso.
Assim não chegaria água até suas petalas e, lá fui eu com um arame bem fininho fazendo uma espiral, de modo que o firmasse e recebesse os nutriente que o fariam desabrochar.
Qual!
Não houve nada que fizesse ele abrir suas pétalas e revelar sua beleza e seu perfume. Lentamente ele tombou, murchou e até o ramo foi secando.
Só meu desejo de vê-lo por inteiro não havia morrido.
Talvez alguns jogassem fora aquele galho ressequido e cheio de espinhos com um botão agora já despetalado.
Eu acreditei um pouco mais e resolvi enfiar aquele toquinho na terra do meu jardim.
Molhei e molhei e molhei.
Um dia, para minha surpresa, havia alguns pontinhos verdes que logo se tornaram brotos e depois folhas.
Pois bem, em alguns meses tornou-se uma roseira.
Ninguém acreditava pois diziam: essa qualidade é enxertada e dificilmente dará flores como aquela que você ganhou, talvez dê rosas, mas da roseira original.
Ok, desde que sejam rosas, tudo bem pensava eu.
Um dia surgiu o primeiro botão. Era enorme e lindo, igualzinho àquele que eu houvera ganho.
E ele desabrochou na mais linda rosa que eu já vira..
Depois vieram outros e mais outros.
Eu nunca os cortei para colocar em vasos. Sempre os deixei alí junto ao tronco da roseira. Ficam alí até o dia em que suas pétalas descoradas pelo sol e abatidas pelo tempo colorem o chão que as alimenta.
Assim, hoje tenho uma roseira e a cuido como o Pequeno Príncipe fazia com a sua.
E sempre me lembro das palavras da raposa: Tu és o responsável pelas coisas que cativas.
Mas quem cativou e quem foi cativado?

Angel

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